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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

JARDIM MEDIEVAL

                                                   Jardim  Medieval 
                               " Le Mas de la Brune"

  "Um modo alquímico de imaginar"


Dezembro de 2011.
Na TV um documentário sobre o Jardim do Alquimista, na França.
Inspirado na alquimia medieval o jardim fica no coração da Provença, num pequeno povoado no sopé da Eygalières de Alpilles, próximo da casa onde viveu Nostradamus.
Para chegar lá, é só seguir a estrada que serpenteia entre as montanhas selvagens de olivais e vinhedos.
O Le Mas de la Brune, é uma jóia única da arquitetura Renascentista nos campos da Provence e abriga dois jardins. O das Plantas Mágicas e o dos Alquimistas.
O Jardim dos Alquimistas faz analogia das plantas com o processo da Alquimia, cujas cores – preto, branco e vermelho – desencadeiam significados paralelos ao desenvolvimento do ser humano, desde o nascimento, a plenitude e o fim da vida.





O primeiro canteiro a ser avistado, um labirinto não convencional, com plantas à altura do joelho revela a palavra "Bereshit"  que no Livro do Gênesis, significa "O Princípio".


No centro, o Jardim das Plantas Mágicas e acima os três canteiros com plantas nas cores: preto. branco e vermelho.
Para a Alquimia as cores que indicam transmutação, revelam processos na alma:
do preto da decomposição (nigredo) ao branco da clara refexão (albedo), passando pelas transições do azul e amarelo para atingir o vermelho da matéria almada e das condições pulsantes e vitais da existência ( rubedo) a pedra filosofal ( HILLMAN, 2010, p.8).

Não é um retorno literal para a alquimia,...
mas uma restauração no modo alquímico de imaginar.

           HILLMAN, James. Psicologia alquímica. Petrópolis, RJ : Vozes, 2010.

Flores  negras
nigredo


Flores brancas
albedo

Flores vermelhas
rubedo

                                 Ao longo da pérgula  estão plantadas  22 espécies de uvas.



Um modo alquímico de imaginar

Para Jung o conceito de “imaginatio” é talvez a chave mais importante para a compreensão do “opus” alquímico.
Trata-se de “representar e realizar a “coisa maior” que a “anima” [alma], como ministro de Deus, imagina criativamente e “extra naturam” [não pertencem ao mundo empírico]”.
 Jung cita o tratado alquímico De Sulphure, de autor anônimo, que fala da faculdade imaginativa da alma. Segundo este tratado a alma opera no corpo, mas a maior parte de sua função é exercida fora deste, imaginando coisas muito mais elevadas do que o corpo do mundo pode conceber; essas coisas estão alem da natureza e são os próprios mistérios de Deus. [...]
 O que a alma imagina acontece apenas na mente [... mas] quando ela quer tem o maior poder sobre o corpo; pois de outra forma nossa filosofia seria vã (JUNG, 1990, p. 292).

JUNG, Carl Gustav. Psicologia e alquimia. Petrópolis, RJ : Vozes, 1990.


 



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