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domingo, 14 de julho de 2013

INFÂNCIAS , ALICE MILLER, CHAPÈUZINHO VERMELHO...

      
                         Chapeuzinho Vermelho.  Ilustrações de Gustave Doré.

 Alice Miller...quem é Alice Miller?

                                            Sinônimo de proteção da infância.

Criadora do Projeto 'No Spank'

Um recurso para pais, alunos, educadores, formuladores de políticas de educação, profissionais de saúde, defensores das crianças, e todos que se preocupam com a segurança e o bem-estar das crianças.

"Não pode haver revelação mais aguçada da alma de uma sociedade do que a forma pela qual ela trata seus filhos." 
                                                               Nelson Mandela

Alice Miller; um olhar compassivo e corajoso sobre a infância de cada um de nós. 

Qual o sentimento daquela criança que fui um dia?  Lembro? Ao lembrar posso tentar compreender  a pessoa que me tornei.

Preciso de coragem para abrir a porta para a infância real, sem idealizações, e talvez me libertar de suas consequências destrutivas.

Poderá estar aqui a chave para entender, e quiçá superar, nossos comportamentos absurdos.  

"Crianças que têm a capacidade de percepção das coisas são castigadas, interiorizam as sanções de modo tão intenso que, quando se tornam adultas, já não conseguem perceber".

Quando quem foi maltratado na infância perceber quão destrutivo ou  autodestrutivo pode ser o efeito da forte ligação com seus cuidadores, poderá compreender a violência do dia-a-dia, mas não pensará que as causas poderão ser encontradas na infância.

Precisamos descobrir qual o significado emocional  da infância de cada um de nós para então descobrir as consequências devastadoras do exercício de poder da educação.

Urgente é nos recusarmos  a ver as pessoas como máquinas que exibem  comportamentos esperados.

Poderemos então nos maravilharmos com a inesgotável capacidade humana de superação de perdas e tragédias .

Entenderemos que aplausos ou fama não preencherão o vazio de quem vivenciou uma infância humilhada e maltratada.

Podemos entender e superar estes dramas se encontrarmos na vida a 'testemunha auxiliadora', aquela pessoa que auxilia a criança maltratada, ainda que de forma esporádica, oferecendo-lhe um pouco de apoio para contrabalançar  a crueldade que determina o seu dia a dia.

"Testemunhas conhecedoras" poderão ser terapeutas ou também professores esclarecidos, consultores, escritores, amizades.

                               
                                Histórias da mamãe gansa.  Ilustração Gustave Doré

As primeiras experiências emocionais deixam vestígios no corpo, são codificados como informações e influenciam na idade adulta, na forma de pensar, sentir e de agir mas que escapam à nossa consciência.

Disso resulta um círculo vicioso de violência.

A partir do conhecimento das emoções de nossa própria história, podemos chegar à uma consciência mais profunda.

Toda infância possui desilusões, frustrações e a esperança de que iremos superar e encontrar em nós mesmos força e coragem para seguir adiante.

 Alice Miller:   ' O drama da criança bem dotada',
'No princípio era a educação', 'A verdade liberta'

http://www.nospank.net/

http://www.alice-miller.com/index_en.php
 

sábado, 6 de abril de 2013

DOWN HOUSE: NO JARDIM DE CHARLES DARWIN



                     DOWN  HOUSE 


 A  CASA  DE CHARLES  DARWIN  E  SUA  FAMÍLIA                           
                     
http://www.english-heritage.org.uk/daysout/properties/home-of-charles-darwin-down-house/                                                                                


Em 1887, cinco anos depois da morte de Charles Darwin, seu filho Francis publicou sua Autobiografia escrita em 1876 entre as idades de 67 e 73 anos, com reflexões sobre sua vida e trabalho.

                            
                                       Chalk and water-colour drawing of Charles Darwin in 1840, by George Richmond. Reproduced courtesy of the Darwin Heirlooms Trust.
                                            http://www.christs.cam.ac.uk/darwin2009/
             

  Autobiografia
   1809- 1882

"Eu teria teria tido grande interesse em ler um esboço, mesmo curto e insípido como este, sobre a mente de meu avô, escrito por ele mesmo. Gostaria de saber o que pensava e fazia, como trabalhava.

Meu pai dizia que as pessoas com mente poderosa costumam ter lembranças que remontam a fases muito precoces da vida. Não é esse o meu caso, pois minha lembrança mais remota vai apenas à época em que eu tinha quatro anos e alguns meses.

Minha mãe morreu em julho de 1817, quando eu tinha pouco mais de oito anos. É estranho que eu mal consiga lembrar de alguma coisa sobre ela, exceto de seu leito de morte, seu vestido longo de veludo negro e sua curiosa mesinha de trabalho. Creio que meu esquecimento se deve, em parte, ao fato de que minhas irmãs, por sua enorme tristeza, nunca conseguiam falar nela ou mencionar seu nome, e, em parte, ao fato de que minha mãe esteve inválida durante um período que antecedeu sua morte."

"Também posso confessar aqui que, quando menino, eu era muito dado a inventar mentiras deliberadas, visando a provocar agitação.
Nesta época, ou talvez quando um pouco menor, às vezes eu roubava frutas para comer...

Quando era muito pequeno, lembro-me de roubar maçãs do pomar, para dá-las a uns meninos e rapazes que moravam em uma casa não muito distante de lá; antes de lhes entregar as frutas, eu fazia uma exibição, mostrando-lhes como era veloz na corrida; não percebia que era por causa das maçãs que eles demonstravam tanta surpresa e admiração por minha capacidade de correr. Lembro-me bem que ficava encantado quando eles declaravam nunca ter visto um menino tão veloz!"

"Posso acrescentar aqui algumas páginas sobre meu pai, que, sob muitos aspectos foi uma pessoa notável. Suas principais características mentais eram a capacidade de observação e a compaixão, nenhuma das quais jamais vi serem ultrapassadas ou sequer igualadas."
                                                         
                            Desenho do escritório de Charles Darwin


Na estufa e nos jardins de Down House, Charles Darwin continuou suas observações e experiências de viagens.

                 
                        O percurso da viagem do HMS Beagle. 1831 - 1836


O livro de Michael Boulter 'No Jardim de Charles Darwin',  mostra que as pesquisas feitas por Darwin em seu jardim pavimentaram o caminho para a moderna genética, o estudo das cadeias alimentares e da biodiversidade.

Em a "Descendência do Homem", Darwin concluiu que apesar de todas as "qualidades nobres" e "capacidades sublimes" da humanidade,


Cquote1.svgO homem ainda traz em sua estrutura física a marca indelével de sua origem primitiva.   Cquote2.svg
 

No jardim da Down House foi realizado o documentário da BBC 
'Darwin's Garden', onde foram recriados experimentos seguindo suas anotações.
 
Primeiro episódio: Mostra diversas experiências e investigações feitas antes da publicação do livro A Origem das Espécies.

Segundo episódio: Aborda diversas experiências realizadas após a publicação do livro.

Terceiro episódio: Descreve suas teorias  sobre a evolução humana no final de sua carreira, e suas conclusões. 


 
A seleção natural




A migração das plantas




http://www.english-heritage.org.uk/daysout/properties/home-of-charles-darwin-down-house/

http://www.historicbritain.com/vendor/charlesdarwin.aspx

 http://www.darwinproject.ac.uk/editors-blog/2013/03/27/382/

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O JARDIM DE GEORGE HARRISON



             George Harrison, sensível e apaixonado jardineiro.

                     
                                  Em Friar Park, para a capa de
                                      'All Things Must Pass'



George Harrison foi um jardineiro criativo e dedicado em Friar Park, a mansão neo-gótica vitoriana de 120 quartos  adquirida em 1970.

jardim de fantasia vitoriana criado por Sir Frank Crisp, em 1896, foi restaurado por George Harrison. São 12 hectares com labirintos, grutas, passagens subterrâneas e um jardim de pedras alpine em escala de Matterhorn.

                          
                                                     
                                          Nos jardins de Friar Park

                       
                 
                         

                     
   
                                                                                                                                               
                                        
                                      Antigos cartõs postais "The Alpine Gardens"

       
                                                

                   
                             http://www.beatlelinks.net/forums/showthread.php?p=1047303


Após a separação dos Beatles, George Harrison
'só queria ser um jardineiro plantando para a próxima geração '.

Harrison e sua mulher Olivia restauraram os extensos jardins e as fontes de água originalmente concebidas.

  Chelsea Flower Show 2008

 Como celebração de sua vida, música e filosofia,
foi apresentado no Chelsea Flower Show de maio de 2008
um jardim - metáfora de suas escolhas.


              " De Vida em Vida, Um Jardim Para George"
                        
 a viagem do material para o mundo espiritual.

                                

          

Garden for George

  Em 2011 Martin Scorsese fez o documentário, uma obra de arte: 

                  George Harrison: Vivendo no Mundo Material


Ao assisti-lo, se compreende porque suas músicas nos trazem prazer e emoção. George revela sua escolha de ser sincero consigo mesmo.

O filme fala sobre os primeiros anos dos Beatles e as relações entre eles. Da necessidade de George de sair dos holofotes e começar sua própria jornada, de encontrar algo mais na vida. E su
as escolhas foram alimentados por sua paixão pela música.


Ao assistir o documentário, se tem a noção de quão especial era George. Sempre que pensamos da vida de uma estrela do rock, pensamos no sucesso, fama e fortuna ... mas isto era a base de uma prisão que ele estava construindo em torno de si. D
eixou tudo para trás e foi buscar o que realmente importava.

 
Comove ouvir Dhani Harrison  dizer que quando criança não sabia que o pai  "era mais que um jardineiro"...  porque sempre o via dedicado ao  jardim.


Ouvir o próprio George falar da importância de  cultivar a vida espiritual...

E sobre "My  Sweet  Lord":  é um mantra... declara escolher viver o  mais importante, não perder tempo com o que não não tem significado. A vida é muito mais.
 

O depoimento de Astrid Kirchherr sobre as fotos tiradas no estúdio de Sutcliffe.
A emoção de Lennon ao lembrar do amigo falecido e a presença de George que o ampara e conforta sem dizer palavra...

Sua presença ao lado de John, que parece se despedaçar de dor, é o tipo de dom que encontramos em sua música. Nos conforta e anima para seguir adiante.

 Saber d
essas histórias me fez parar e ouvir suas músicas novamente, refletir, me voltar para o que realmente importa...


 O
documentário age como uma reflexão sobre a vida, as paixões e as visão de mundo. T
raz a volta à infância, quando a maioria de nós tem a certeza de esperar por um mundo melhor.

George Harrison foi não só um grande músico, era um ser humano especial.
Ele é, apenas sendo ele mesmo, um ser inspirador.



 O site de George: www.georgeharrison.com

 

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

MEDO, PERIGO E SONHOS


Jardim dos Monstros,  Bomarzo - Viterbo, Siren
                                          
Figuras doentes - dependentes, acamadas, sofredoras - têm um exepcional poder de nos mover.
                                         Acordamos aflitos. 

O dia é assombrado, no limite escreve James Hillman em seu livro
'Re-vendo a Psicologia'.  E continua...

Estamos com medo, vulneráveis e em perigo. Queremos prevenir ou corrigir.

Sentimo-nos protetores, impelidos a corrigir, reparar. Confundimos algo doente com algo errado.

Imagens patológicas provocam culpa, as aflições nos atingem em parte através da culpa que provocam.

Sem tocar na longa tradição de pecado/doença, culpa pertence ao sentimento de estar por fora, perdendo.

Porém o verdadeiro equívoco é tomar a culpa literalmente.

O que coloca a culpa nos ombros do ego, que "não deveria" ter falhado. O patologizar reforça o estilo do ego e a culpa serve a um ganho secundário, aumentando o senso de importância do ego, agora superego, ocupando-se loucamente em reparar erros.

O ego culposo não é menos egocêntrico do que o ego orgulhoso.

Podemos abandonar o estilo culposo e enxergar um trabalho defensivo que evita o aparecimento de fantasias arquetípicas.

Mais do que a culpa, para o ponto de vista arquetípico importa
para quem:

a qual pessoa da psique e a qual mito pertence a minha aflição?


Jardim dos Monstros, Bomarzo - Orcus

Ela revela uma obrigação?

Quais figuras em quais complexos agora chamam a atenção?

Posso reconhecer de que através de uma experiência patologizada que estou ligado a pessoas arquetípicas  as quais querem algo de mim e a quem devo uma lembrança.

A imagem doentia tanto vicia quanto vitaliza, um avivar através da distorção.


A aflição  reflete um phatos, um mover-se ocorrendo na psique. Algo essencial para a sobrevivência da psique, sua própria vida e morte está sendo expresso.

Ficaríamos com os fenômenos do jeito  que são, não tratados, não curados, escreve James Hillman.

Fantasias de doenças são entendidas como fazendo parte  da profundidade da psique - nós somos psicólogos profundos em virtude desses enigmas patologizados que nos fornecem material subjetivo de reflexão psicológica.

Dentro de cada um de nós o patologizar acontece mesmo sem doenças.

 Nossas fantasias espontâneas mostram isso. O sentimento de algo "profundamente" errado que precisa de atenção imediata.

Com o patologizar vem o sentimento de forças obscuras das profundezas,  assim aparece nas fantasias de psicose latente.

Eu racharia e rastejariam para fora das rachaduras meus demônios patológicos.