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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

MEDO, PERIGO E SONHOS


Jardim dos Monstros,  Bomarzo - Viterbo, Siren
                                          
Figuras doentes - dependentes, acamadas, sofredoras - têm um exepcional poder de nos mover.
                                         Acordamos aflitos. 

O dia é assombrado, no limite escreve James Hillman em seu livro
'Re-vendo a Psicologia'.  E continua...

Estamos com medo, vulneráveis e em perigo. Queremos prevenir ou corrigir.

Sentimo-nos protetores, impelidos a corrigir, reparar. Confundimos algo doente com algo errado.

Imagens patológicas provocam culpa, as aflições nos atingem em parte através da culpa que provocam.

Sem tocar na longa tradição de pecado/doença, culpa pertence ao sentimento de estar por fora, perdendo.

Porém o verdadeiro equívoco é tomar a culpa literalmente.

O que coloca a culpa nos ombros do ego, que "não deveria" ter falhado. O patologizar reforça o estilo do ego e a culpa serve a um ganho secundário, aumentando o senso de importância do ego, agora superego, ocupando-se loucamente em reparar erros.

O ego culposo não é menos egocêntrico do que o ego orgulhoso.

Podemos abandonar o estilo culposo e enxergar um trabalho defensivo que evita o aparecimento de fantasias arquetípicas.

Mais do que a culpa, para o ponto de vista arquetípico importa
para quem:

a qual pessoa da psique e a qual mito pertence a minha aflição?


Jardim dos Monstros, Bomarzo - Orcus

Ela revela uma obrigação?

Quais figuras em quais complexos agora chamam a atenção?

Posso reconhecer de que através de uma experiência patologizada que estou ligado a pessoas arquetípicas  as quais querem algo de mim e a quem devo uma lembrança.

A imagem doentia tanto vicia quanto vitaliza, um avivar através da distorção.


A aflição  reflete um phatos, um mover-se ocorrendo na psique. Algo essencial para a sobrevivência da psique, sua própria vida e morte está sendo expresso.

Ficaríamos com os fenômenos do jeito  que são, não tratados, não curados, escreve James Hillman.

Fantasias de doenças são entendidas como fazendo parte  da profundidade da psique - nós somos psicólogos profundos em virtude desses enigmas patologizados que nos fornecem material subjetivo de reflexão psicológica.

Dentro de cada um de nós o patologizar acontece mesmo sem doenças.

 Nossas fantasias espontâneas mostram isso. O sentimento de algo "profundamente" errado que precisa de atenção imediata.

Com o patologizar vem o sentimento de forças obscuras das profundezas,  assim aparece nas fantasias de psicose latente.

Eu racharia e rastejariam para fora das rachaduras meus demônios patológicos.
 

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